Em um cenário onde as operações financeiras migraram quase totalmente para o ambiente digital, usuários e instituições enfrentam riscos cada vez mais complexos. Com o aumento exponencial das transações via Pix e contas digitais, surge a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção para garantir a integridade dos dados e a continuidade dos serviços.
Introdução: Contexto de Riscos em 2026
O ano de 2025 ficou marcado por ataques massivos ao sistema financeiro brasileiro, que resultaram em perdas superiores a R$ 1 bilhão em fraudes envolvendo Pix e contas de reserva. Esses incidentes revelaram como ciberataques e fraudes financeiras tornaram-se indissociáveis no ecossistema digital, explorando vulnerabilidades técnicas, credenciais comprometidas e táticas de engenharia social.
Em janeiro de 2026, o interesse do público pelos bancos digitais continua em alta, mas também reacende dúvidas sobre a segurança dessas plataformas. Com cerca de 2.000 fintechs atuando no Brasil e um crescimento de 68% no crédito concedido em 2024, totalizando R$ 35,5 bilhões, a população demanda maior transparência e proteção de seus ativos.
Ameaças Específicas a Bancos Digitais
Os chamados ataques híbridos combinam exploits técnicos, acessos privilegiados de insiders ou parceiros e análise comportamental, permitindo que invasores contornem defesas tradicionais. Essa abordagem multifacetada exige atenção redobrada aos acessos privilegiados e a vigilância constante de padrões de uso.
Outra preocupação crescente são as “contas-bolsão”: registros irregulares usados para lavagem de dinheiro e movimentações ilícitas. Essas contas, quando não identificadas a tempo, podem permanecer ativas por meses, facilitando esquemas complexos. O Banco Central exige a documentação dessas contas por até 10 anos após seu encerramento compulsório.
Além disso, ameaças baseadas em inteligência artificial utilizam agentes autônomos para exploração de serviços em nuvem, IoT e ambientes de trabalho remoto. O fenômeno de superfície de ataque ampliada reforça a urgência de políticas robustas de segurança e monitoramento contínuo.
Regulamentações do Banco Central em 2026
Para conter esse avanço das fraudes, o Banco Central do Brasil implementou um cronograma de resoluções com prazos rigorosos: adequação estrutural até maio de 2026, reforço de controles de segurança digital até março de 2026 e capital mínimo até dezembro de 2027. Entre as principais exigências estão controles de identidade, rastreabilidade de transações e implantação de PAM (Gestão de Acessos Privilegiados) e Fusion SOC.
Fintechs e bancos digitais também foram equiparados no sistema e-Financeira para reporte fiscal e precisaram se adequar aos novos critérios de capital mínimo, que variam de R$ 9,2 milhões a R$ 32,8 milhões, conforme o perfil de risco. O Projeto de Lei Complementar 137/2025 introduziu ainda normas de governança, transparência e proteção ao consumidor, aproximando o Brasil de padrões internacionais como o PSD2 europeu.
Tendências e Tecnologias de Defesa em 2026
A abordagem Zero Trust consagra a ideia de que nenhum acesso deve ser confiável por padrão. Isso inclui segmentação de redes, autenticação contínua e privilégio mínimo, tanto para identidades humanas quanto para agentes de IA. A integração de cibersegurança e antifraude, conhecida como Fusion SOC, oferece uma visão unificada de ameaças e respostas.
Ferramentas de autoaprendizado para detecção de anomalias e automação de respostas se tornam essenciais diante de ataques híbridos. PAM e SSE (Security Service Edge) oferecem controle granular sobre credenciais privilegiadas e inspeção de tráfego, reduzindo riscos de invasões internas e de terceiros.
A criptografia pós-quântica já está na pauta das equipes de segurança, que realizam inventário de ativos criptográficos e planejam migração para algoritmos resistentes a futuros computadores quânticos. Paralelamente, backups imutáveis e governança de fornecedores garantem resiliência operacional mesmo em eventos extremos.
Dicas Práticas de Proteção para Usuários de Bancos Digitais
Embora muitas recomendações sejam originadas para instituições, é possível adaptá-las ao uso pessoal, elevando o nível de proteção das contas digitais.
- Adote autenticação multifator obrigatória para todos os logins e revise senhas periodicamente.
- Verifique sempre o histórico de transações e configure alertas em tempo real.
- Evite clicar em links suspeitos ou compartilhar credenciais, mesmo com solicitações aparentemente legítimas.
- Utilize redes privadas seguras e atualize sistemas operacionais e aplicativos bancários.
- Tenha planos de contingência bem definidos para bloqueio de cartões e contatos de suporte imediato.
Essas práticas simples podem reduzir drasticamente o risco de fraudes e manter o controle sobre seu patrimônio digital.
Perspectiva de Mercado e Desafios
Entidades como ABFintechs e ABBAAS veem as novas regras como oportunidade para reforçar a integridade do sistema, equilibrando inovação e segurança. No entanto, conciliar crescimento acelerado com compliance rigoroso representa um desafio significativo para as empresas emergentes.
Em um ambiente onde a confiança é o principal ativo, fintechs devem incorporar a segurança no centro de sua governança. A convergência de ciberataques, fraudes e IA exige uma mudança de mentalidade para construir resiliência e garantir a continuidade dos serviços.
Conclusão
Proteção de dados em bancos digitais não é responsabilidade exclusiva das instituições: cada usuário desempenha um papel fundamental na defesa contra fraudes. Ao adotar práticas de segurança, manter-se informado sobre tendências tecnológicas e exigir transparência dos serviços, podemos construir um ecossistema financeiro digital mais seguro e confiável.
No Brasil de 2026, a união entre regulamentação robusta e inovação responsável será o caminho para resguardar nossos ativos e fortalecer a confiança em um sistema cada vez mais digitalizado.
Referências
- https://www.scunna.com/os-desafios-da-seguranca-cibernetica-em-2026-da-ruptura-do-sistema-financeiro-a-governanca-da-inteligencia-artificial/
- https://jornalempresasenegocios.com.br/opiniao/2026-sera-o-ano-em-que-a-regulacao-definira-o-futuro-das-fintechs/
- https://g1.globo.com/pr/parana/especial-publicitario/ligga-telecom-conectando-negocios-cidades-e-pessoas/noticia/2026/01/23/4-tendencias-de-ciberseguranca-para-2026.ghtml
- https://www.terra.com.br/noticias/o-ano-da-virada-para-as-2000-fintechs-brasileiras-e-em-2026,2ea24213737d613e7800b119dc8de2e8zkedr6w7.html
- https://www.youtube.com/shorts/dBeoA_jNTOI
- https://febrabantech.febraban.org.br/especialista/patricia-peck-pinheiro/novas-regras-para-a-seguranca-digital-em-2026
- https://www.bcb.gov.br/detalhenoticia/20979/nota
- https://abaai.com.br/2025/10/21/seguranca-no-sistema-financeiro-digital-bc/







