Em um cenário global marcado por mudanças climáticas aceleradas, o debate sobre o custo da inação climática ganha urgência sem precedentes. A cada década sem medidas efetivas, países e empresas enfrentam perdas econômicas e sociais crescentes, refletidas em orçamentos públicos esgotados e serviços essenciais prejudicados.
Dados recentes mostram que a falta de ação pode representar até um terço do PIB global ao longo deste século. No Brasil, a projeção de perda de R$ 17,1 trilhões em potencial de crescimento econômico em 25 anos reforça a necessidade de decisões imediatas, especialmente diante da frequência crescente de eventos climáticos extremos que já custaram R$ 61 bilhões apenas na última década.
Números e Dados Principais
O impacto econômico da inação climática na Bacia Amazônica é colossal. Entre 14% e 33% do PIB regional podem ser comprometidos até 2070, resultando em perdas anuais entre US$ 525 bilhões e US$ 915 bilhões. Em escala global, a omissão poderá custar até 33% do PIB mundial neste século.
Por outro lado, investimentos de apenas 1% a 2% do PIB em iniciativas de redução de emissões poderiam limitar as perdas a 2%–4% do PIB global. Esses números evidenciam o contraste entre o preço de agir e o custo de continuar inerte.
Estes valores revelam a magnitude das consequências para a floresta e as comunidades que dependem diretamente de seus recursos e serviços, colocando em risco cadeias produtivas e a segurança alimentar regional.
Benefícios do Investimento Imediato
Investir em mitigação e adaptação climática não é apenas uma medida de proteção, mas uma oportunidade de crescimento sustentável. Projeções do IPCC e da IEA apontam para um retorno de aproximadamente dez vezes até 2100, comprovando a viabilidade econômica dessas iniciativas.
- Aumento da resiliência de ecossistemas e centros urbanos
- Geração de empregos verdes e estímulo à inovação
- Redução de riscos financeiros para empresas e governos
- Cobertura de investimentos em infraestrutura essencial
Além do retorno financeiro, os benefícios ambientais e sociais incluem melhorias na qualidade do ar e da água, proteção da biodiversidade e fortalecimento de comunidades vulneráveis, criando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.
Perspectiva de Líderes Empresariais
Os CEOs desempenham papel determinante na transição para uma economia de baixo carbono. Conforme Luiz Sérgio Vieira, CEO da EY Brasil, financiamento da transição virá da iniciativa privada e cabe aos líderes integrar a sustentabilidade na estratégia e no planejamento financeiro das organizações.
Mais de 52% dos executivos consultados afirmam que os resultados financeiros das iniciativas climáticas superaram expectativas. Hoje, a sustentabilidade deixa de ser vista como um passivo para se converter em diferencial competitivo, alinhando-se a novas regulamentações e à crescente demanda de consumidores, investidores e cidadãos.
Desafios Identificados
Embora exista algum grau de planejamento em cerca de 64% das empresas, a implementação carece de robustez. Barreiras políticas, custos operacionais elevados e metas pouco realistas sem revisões constantes são entraves frequentes.
As lacunas nas políticas nacionais e a carência de cooperação regional na Amazônia reforçam que nenhum país conseguirá enfrentar este desafio isoladamente. Adicionalmente, o financiamento global para adaptação precisa aumentar pelo menos 12 vezes para atender às necessidades dos países, mas faltam modelos claros de investimento e parcerias público-privadas consistentes.
Riscos Específicos da Inação
Na região da Bacia Amazônica, os impactos das mudanças climáticas vão além dos ecossistemas e atingem diretamente as populações locais e setores produtivos.
- Redução de 10% na evapotranspiração em áreas desmatadas
- Duplicação do risco de incêndios florestais na Amazônia oriental
- Diminuição significativa na produção agrícola regional
- Aumento de doenças respiratórias ligadas a queimadas
- Pressão sobre infraestrutura, gerando deslocamentos forçados
Esses fatores podem ocasionar migrações em massa, sobrecarregar serviços públicos e afetar diretamente a segurança alimentar e o bem-estar de milhões de pessoas em todo o país.
O Custo Social do Carbono
O Custo Social do Carbono (CSC) quantifica os prejuízos associados a cada tonelada de CO₂ emitida. Estimativas da Universidade da Califórnia em Davis apontam um valor de US$ 280 por tonelada, considerando impactos na saúde, agricultura e infraestrutura.
Incorporar o CSC nas decisões estratégicas de governos e empresas promove a internalização de riscos ambientais e a precificação adequada de passivos de carbono, contribuindo para mercados de carbono mais eficientes e decisões mais responsáveis.
Em um mundo onde economia e meio ambiente estão intrinsecamente vinculados, cada dia sem ação aumenta custos que serão ainda mais difíceis de reverter. Investir agora é garantir um futuro resiliente e promover sustentabilidade não como ônus, mas como ativo de valor inestimável.
O momento de agir é agora: governos, empresas e cidadãos devem unir forças para transformar desafios climáticos em oportunidades duradouras e assegurar um legado positivo para as próximas gerações.
Referências
- https://www.ey.com/pt_br/newsroom/2025/11/custo-inacao-superior-investimento-solucoes-sustentaveis-ceo-ey
- https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202511/ministerio-da-gestao-e-pnud-lancam-na-cop30-estudo-inedito-sobre-os-custos-da-falta-de-acoes-preventivas-na-bacia-amazonica
- https://exame.com/esg/inacao-climatica-pode-custar-15-da-receita-anual-das-empresas-revela-estudo/
- https://forbes.com.br/forbes-money/2025/03/inacao-climatica-pode-custar-1-3-do-pib-global-neste-seculo-alerta-bcg/
- https://www.pwc.com.br/pt/estudos/setores-atividade/energia/2025/o-papel-estrategico-do-brasil-no-mercado-de-carbono.html
- https://news.un.org/pt/story/2025/10/1851375
- https://cop30.br/pt-br/noticias-da-cop30/gargalo-tecnico-e-financeiro-e-o-maior-desafio-para-enfrentamento-a-mudanca-do-clima-nas-cidades-diz-enviado-especial







