Consumo Consciente: Dinheiro que Respeita o Planeta

Consumo Consciente: Dinheiro que Respeita o Planeta

Em 2026, o Brasil vive um momento de tensão entre contas a pagar e sonhos a realizar. Com 39% dos brasileiros endividados no início do ano e a percepção de que a economia pode piorar, há uma clara busca por equilíbrio entre o dinheiro que entra e as expectativas de vida.

Consumo Racional e Estratégias Financeiras

O cenário econômico atual impõe pressão financeira impulsiona cautela e racionalidade em cada escolha de compra. Quase metade dos entrevistados (48%) declara que vai “economizar tudo que posso” em 2026, enquanto 44% pretendem caçar promoções e descontos para proteger o bolso.

As táticas de compra mostram adaptação e criatividade. Entre as principais estratégias:

  • 44% buscam ofertas sazonais e descontos em pontos de venda;
  • 19% planejam usar mais cupons e voucher digitais;
  • 32% mantêm o modelo e-commerce puro e 27% adotam o formato híbrido, combinando loja física e online.

Mesmo em um contexto de volume de consumo estável (-0,2%), observou-se um crescimento de 12,8% nas visitas ao ponto de venda, mas queda de 10,4% no número médio de itens por compra. Esse comportamento reflete atenção ao valor pago em cada produto, sem deixar de aproveitar oportunidades.

Na projeção de investimentos, 28% dos consumidores planejam adquirir um carro e 23% um imóvel nos próximos dezoito meses. Além disso, canais digitais seguem em alta: quem navega em 8 plataformas realiza, em média, 24 compras por ano, com o e-commerce crescendo 13,8%, especialmente via social commerce, onde 2 em cada 5 transações ocorrem por WhatsApp.

O delivery de alimentos e bebidas alcançou 77% de penetração, com tíquetes médios três vezes maiores que o varejo tradicional, mostrando que conveniência ainda é prioridade quando o orçamento permite.

Desafios para Sustentabilidade

Embora 80% dos brasileiros pretendam adotar hábitos sustentáveis em 2026, barreiras práticas limitam essa transição. Em 2025, as principais dificuldades encontradas foram:

  • Reduzir consumo de energia elétrica (39%);
  • Evitar plásticos descartáveis (32%);
  • Diminuir uso de água (31%).

Muitas pessoas percebem que empresas falham em educar sobre sustentabilidade: 37% consideram que as ações corporativas são pontuais, 36% acham-nas insuficientes e 18% reclamam de discurso maior que prática efetiva.

Para 2026, os brasileiros apontam prioridades de mudança em quatro frentes:

  • Alimentação mais consciente (58%);
  • Transporte sustentável (35%);
  • Roupas e acessórios eco-friendly (34%);
  • Viagens com menor impacto (22%).

O COP30 representa uma janela de oportunidade para o Brasil protagonizar iniciativas globais e avançar em políticas públicas, inovação e acesso a tecnologias verdes.

Áreas Prioritárias e Tendências Saudáveis

A saúde mental e física redefinem as escolhas de consumo. Entre 2023 e 2025, as licenças médicas por ansiedade e depressão subiram 68%, reforçando a necessidade de produtos que promovam bem-estar.

O autocuidado já não é luxo: 46% dos brasileiros buscam reduzir o consumo de açúcar, e tratamentos com GLP-1 revelam queda de 44% para 20% nas porções consumidas por usuários, mostrando como intervenções médicas impactam hábitos cotidianos.

Em alimentos e bebidas, cresce a demanda por itens funcionais e indulgentes sem culpa. A penetração de bebidas proteicas subiu de 5% (2023) para 13% (2025), enquanto as cervejas sem álcool passaram de 10% para 15%. Esse movimento alia qualidade de vida como novo status à conveniência de consumo.

O perfil demográfico também muda: há menos crianças em casa e mais longevidade, além de aumento de pets, o que reforça mercados de higiene, beleza e pet friendly. Na área de eventos, a Copa do Mundo 2026 elevou o tíquete médio em snacks e bebidas em 12%, e 50% das famílias fazem apostas relacionadas ao torneio.

Oportunidades e Futuro

O futuro do consumo consciente no Brasil se apoia em desafios que viram oportunidades. A expectativa é que empresas inovem em embalagens, adotando materiais biodegradáveis e designs que comuniquem transparência.

O modelo multicanal e social commerce em alta continuará a evoluir, conectando o cliente em lojas físicas, apps e redes sociais com ainda mais fluidez. A gastronomia sustentável ganha espaço não apenas por menu plant-based, mas por técnicas que valorizam redução de desperdício e aproveitamento integral de ingredientes.

Na esfera política, a pressão por regulamentações que incentivem energia limpa, transporte compartilhado e economia circular tende a crescer, especialmente diante de eventos como COP30. A adesão a metas de redução de emissões e a certificações verdes será um diferencial competitivo no varejo.

Em suma, a jornada do consumidor brasileiro em 2026 passa por um equilíbrio entre poupar e investir no próprio bem-estar, adotando escolhas que respeitem o planeta e o bolso. Ao integrar finanças saudáveis e práticas sustentáveis, cada pessoa contribui para um ciclo virtuoso de prosperidade social e ambiental.

Maryella Faratro

Sobre o Autor: Maryella Faratro

Maryella Faratro é analista de investimentos e criadora de conteúdos financeiros para o RendaCerta.org, focando em estratégias de crescimento patrimonial e informações econômicas que ajudam os leitores a tomar decisões conscientes e fundamentadas.