O envio de dinheiro para o exterior é uma prática que impacta vidas ao redor do mundo, conectando famílias, financiando estudos e incentivando novos negócios. No entanto, no Brasil, essa operação carrega uma armadilha: custos extras escondidos em contratos aparentemente claros. Segundo estudo da Wise encomendado à Edgar, Dunn & Company, os brasileiros desembolsaram US$ 708 milhões em tarifas ocultas em 2024, e esse valor está projetado para alcançar US$ 811 milhões em 2025, podendo chegar a impressionantes US$ 1,435 bilhão até 2029. É hora de entender as origens dessas taxas e lutar por mais justiça.
Estas tarifas ocultas podem ser encontradas em letras miúdas ou embutidas na variação cambial, gerando uma sensação de surpresa e injustiça no momento de concretizar a transferência. Quando somamos todas as etapas — da conversão de moeda ao desembolso final —, o consumidor muitas vezes descobre que até 5,8% do valor enviado se perdeu em taxas não reveladas.
O Problema das Tarifas Ocultas no Brasil
A dificuldade em identificar cada custo faz com que muitas pessoas acabem pagando mais sem perceber. São cobranças por intermediação, tarifas bancárias e margens de câmbio aplicadas de maneira opaca, o que cria um ciclo vicioso de desconfiança. Quem depende dessas remessas para pagar contas ou enviar suporte financeiro a parentes no exterior acaba sentindo o peso dessas perdas.
Em 2024, indivíduos no Brasil enviaram cerca de US$ 38,1 bilhões ao exterior e receberam US$ 23,38 bilhões. Esses números devem aumentar para US$ 44 bilhões e US$ 28,206 bilhões, respectivamente, em 2025. Apesar do crescimento do volume, uma parte significativa desses recursos é corroída pelas tarifas ocultas, representando um grande obstáculo à prosperidade.
Para muitos brasileiros, essas remessas representam o sustento de famílias, o pagamento de estudos no exterior ou o suporte a investimentos. Quando as taxas podem chegar a quase 6% do valor transferido, o impacto no orçamento familiar é profundo e prolongado, comprometendo sonhos e projetos de longo prazo.
Campanhas e Soluções para Mais Transparência
A campanha #NadaaEsconder, liderada pela Wise, ganhou força em 2024, reunindo mais de 15 mil assinaturas que exigem transparência completa nas remessas internacionais. A iniciativa propõe que todos os custos sejam explicitados antes da finalização da operação, evitando surpresas e construindo um ambiente de maior confiança.
O Roteiro do G20 para pagamentos transfronteiriços, lançado em 2020, estabelece metas até 2027 para ampliar a clareza de custos e permitir o acesso direto de provedores não bancários aos sistemas de pagamento. A adoção dessas diretrizes no Brasil ajudaria a reduzir margens excessivas e a democratizar o mercado.
Além da petição, organizações civis e associações de fintechs promovem workshops e seminários para educar o público sobre os direitos do consumidor em câmbio e desenvolver plataformas de comparação que exponham todas as taxas em cada etapa da remessa.
- Campanha global #NadaaEsconder com mais de 15 mil assinaturas.
- Implementação de relatórios claros e unificados de custos.
- Acesso direto de fintechs e provedores não bancários ao sistema de pagamentos.
- Pressão regulatória para banir taxas de intermediação ocultas.
Essas medidas não só beneficiam os consumidores com custos mais baixos e previsíveis, mas também fomentam a inovação, permitindo que novos entrantes concorram com instituições tradicionais. O resultado é um ecossistema financeiro mais dinâmico e justo para todos.
Panorama Econômico Brasileiro e Suas Implicações
O Orçamento da União para 2026 foi elaborado com previsões de crescimento do PIB de 2,44%, inflação em torno de 3,6% e uma Selic média de 13,11%. O superávit primário projetado é de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do PIB. Embora esses indicadores mostrem otimismo, especialistas questionam a viabilidade dessas metas em um ano eleitoral.
No mercado de trabalho, a taxa de desemprego caiu para 6,6% e 232.513 vagas formais foram criadas em agosto de 2025. Contudo, as taxas DI projetadas para 2026 superam 12%, indicando um cenário de aperto monetário que encarece o crédito e pressiona as margens cambiais.
Além disso, o governo prevê injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia em 2026 por meio do reajuste do salário mínimo e da isenção de IR para rendimentos até R$ 5 mil. Apesar desse estímulo, sem regras claras para remessas internacionais, os benefícios podem não alcançar quem depende de transferências para o exterior.
A carga tributária brasileira atingiu níveis recordes, a maior em 20 anos, reduzindo a margem de manobra fiscal. Em um cenário de receitas apertadas, a eliminação de custos ocultos em câmbio surge como uma alternativa de alívio para famílias e empresas.
Benefícios de um Mercado Justo e Chamado à Ação
Um sistema transparente de transferências internacionais pode evitar perdas de até mais de US$ 1,4 bilhão evitados em perdas até 2029, segundo projeções. Essa economia representa recursos que permanecem no bolso dos brasileiros, estimulando o consumo e o investimento no país.
Reguladores devem exigir a divulgação de todas as tarifas em cada etapa da remessa, enquanto consumidores têm o poder de escolher serviços que adotem políticas de custo zero ou margens justas de câmbio. Esse movimento cria um ciclo virtuoso de confiança e competitividade.
Ao dizer adeus às taxas escondidas, o Brasil dá um passo decisivo rumo a um mercado financeiro mais inclusivo e eficiente. É hora de unir forças entre governo, entidades de defesa do consumidor e fintechs para construir um sistema de pagamentos verdadeiramente justo, que valorize a transparência e potencialize sonhos e projetos de toda a sociedade.
Referências
- https://monitormercantil.com.br/brasileiros-pagaram-us-708-milhoes-em-tarifas-ocultas-em-envio-internacional-de-dinheiro/
- https://www.infomoney.com.br/mercados/taxas-sobem-em-dis-a-partir-de-2026-apos-dados-fortes-do-mercado-de-trabalho/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/especialistas-apontam-dados-superestimados-no-orcamento-2026/
- https://br.investing.com/news/economy-news/taxas-de-dis-curtas-fecham-estaveis-e-longas-tem-altas-leves-no-brasil-1793079
- https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/editoriais/dados-desemprego-setor-publico-setor-privado/
- https://revistaoeste.com/revista/edicao-302/o-leao-insaciavel-arrecadacao-e-recorde-em-2025-mas-governo-quer-mais-impostos-em-2026/







